terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

De repente, um adeus!

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.........Solicitara-me, insistentemente, recusei-me deste honroso mister do editor e diretor desta Revista Tradição, Jorge Fregadolli, para escrever algo sobre o Padre Francisco Robl, carinhosamente cognominado Padre Chiquinho, que nos deixara para sempre, no dia 04 de novembro deste ano, ao meio dia, quando apontavam para o infinito os ponteiros dos elógios no horário-verão do Brasil. Enfim, aceitei o reiterado convite.

..........Alguns dias hospitalizado, todos que o conheciam e o admiravam pela sua maneira, gentil, cavalheiro, padre educado ao trato com as pessoas, à altura de uma Igreja Mãe e Mestra. Todos estavam em orações suplicantes pelo seu restabelecimento, pois sua falta ser-nos-ia, permanentemente, irreparável. Ele, porém, estava preparado; tinha maturidade espiritual para o seu último chamado para a Mansão dos Justos: Em Tuas mãos, Senhor! Apto para receber a recompensa do servo bom e fiel, de ter-se doado a maior parte da sua vida como Pescador de Homens para o redil de Cristo.


Chiquinho esboça sorriso

ao abraçar sua cruz.

Eia, está no Paraíso,

feliz co'o Mestre Jesus!


..........Ele fora para o mundo eclesiástico da arquidiocese de Maringá aquilo que representou o apóstolo de Ars, São João Maria Batista Vianney, Cura d'Ars, para a igreja da França e de outros países, o Papa João Paulo II para toda a Igreja católica, cujos ensinamentos seus vigem indeléveis nesta Igreja peregrina, frutificam à catolicidade da Igreja fundada em Pedro, continuada nos Apóstolos e seus sucessores.

..........Padre Chiquinho estava à disposição da igreja que está em Maringá com o seu sorriso eloquente de felicidade, ao preparar-se dia a dia para ser o Bom Pastor na Vinha do Senhor.

..........Ele, grande na espiritualidade, contribuíra por muitos anos em sua Congregação do Sagrado Coração de Jesus, em outras dioceses do Brasil, na Igreja Particular de Campo Mourão, ocupando cargos de relevância administrativa, pároco de Jussara-PR, por dezenas de anos e, finalmente, em Maringá, nas paróquias do Divino Espírito Santo e na Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória. Por onde passou derramara-se para todos os campos do conhecimento humano-filosófico-teológico as ciências que bebera durante sua vida de formação integral nos seminários. À catedral dedicava-se diariamente ao atendimento dos fiéis, ouvindo as confissões e nas Missas de quartas-feiras e novenas de Nossa Senhora do perpétuo Socorro, bênçãos do Santíssimo Sacramento e da água e de outros objetos de devoção.

..........Conheci-o, pessoalmente, desde os idos de 1961, quando ele, pároco em Jussara, e eu Cura da Catedral de Maringá. Quando vinha a Maringá visitar seus parentes pioneiros que trabalhavam no Posto Maluf, às vezes, era-me hóspede simpático que me edificava tanto com seu ardor de pastor e sacerdote modelar.

..........Eu com ele estabelecemos uma relação de devoto e admiração. Afirmo que tivemos uma relação de amizade fraterna, e também as visitas que lhe fazia todas as vezes que ia rever meu irmão e parentes em Cianorte, perto de Jussara. Sua casa paroquial modesta e com boa biblioteca. Sua permanente curiosidade em conhecer a diocese de Maringá, seu desejo contumaz de poder um dia trabalhar na diocese de Maringá tão carente de padres. Dia a dia passara. Dom Jaime Luiz Coelho, em insistentes convites ao padre Chiquinho para vir trabalhar na diocese de Maringá. Chegou a vez de a Providência Divina trazê-lo para dar os seus melhores anos de sacerdócio à Igreja Particular de Maringá.

..........No dia 04 de novembro, meu aniversário natalício, o grande amigo sacerdote nos deixara ao meio dia. Mas a sua figura simpática selou com o perfume de uma vida sacerdotal ilibada e com seu último sorriso deixa-nos enlutados.

..........Almoçava quando chegara a notícia de seu falecimento na Santa Casa de Maringá. Entristeci-me ao perder um amigo de muitos anos. Fiz-lhe preces ao céu pelo seu descanso eterno, pela sua feliz morada junto à presença de Deus.

..........Nosso mundo fica menor sem a sua presença sorridente, mas a aliança da arquidiocese de Maringá para com sua obra ficará eterna nas páginas clássica da História da Arquidiocese de Maringá.

..........Rilke disse quando da morte de Rodin: “Todos os grandes homens já morreram”. Padre Francisco Robl permanece vivo entre nós pelas sementes lançadas às mãos-cheias na seara de Deus.


*Publicado na Revista Tradição (Dezembro/2009)

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