segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Fanatismos e suas consequências
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Votar não é tudo
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
A vida dos jovens na América Latina
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Nem carne nem peixe
.........Em Roma havia uma festa, a Saturnália, na qual um carro no formato de navio abria o caminho em meio à multidão, que usava máscaras e promovia as mais diversas brincadeiras. A origem da palavra carnaval seria “carrum navalis”(carro naval) interpretação contestada. ( “Curiosidades católicas”, prof, Evaristo Eduardo de Miranda, Ed. Vozes, pg. 74 e 75).
.........A regra da abstinência está em recordar que não somos só estômago. Por isso, hoje não tem sentido só não comer carne, e substituir por um gostoso bacalhau ou um belo peixe assado. Onde está a abstinência e o valor da penitência, que seria de dominar o nosso apetite diante das comidas que mais gostamos? A penitência vale enquanto sou capaz de dominar os meus instintos diante das coisas gostosas e bonitas da vida. A Igreja atualmente pede abstinência de carne apenas dois dias durante o ano, na quarta feira de cinzas e na sexta feira santa.
.........O jejum e a abstinência, não é só uma prática quaresmal, inclusive hoje se tornou uma recomendação médica muito comum, para ter melhor qualidade de vida. Também é bom lembrar que não é o que entra no estômago, que mancha o homem e sim o que sai da boca. “Não entendeis que nada do que vem de fora e entra em uma pessoa pode torná-la impura, porque não entra em seu coração…Ele disse: O que sai do homem, isso é que o torna impuro.
.........Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultério, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo”(Mc 7,14-23).
.........O próprio Jesus nos deu o exemplo, jejuou durante quarenta dias e foi tentado (cf.Lc 4,1-13). O jejum, a penitência, a abstinência, que agrada ao Senhor está na prática da justiça, na economia solidária, na defesa dos direitos de todos, na busca do bem comum, na fraternidade de irmãos e filhos do único Deus, que se querem bem e se respeitem na diversidade de raças, credos e condição social. Essa é a proposta da Campanha da Fraternidade.
.........Assim nos recorda o profeta Isaias: “Buscam-me cada dia e desejam conhecer meus propósitos, como gente que pratica a justiça e não abandonou a lei de Deus….Porque não te regozijastes, quando jejuávamos, e o ignorastes, quando nos humilhávamos? É porque no dia do vosso jejum tratais de negócios e oprimis os vossos empregados. É porque, ao mesmo tempo que jejuais, fazei litígios e brigas e agressões impiedosas.
.........Não façais jejum com este espírito, se quereis que o vosso pedido seja ouvido no céu. Acaso é este jejum que aprecio….Acaso o jejum que aprecio não é outro: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim romper todo tipo de sujeição? Não é repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos? ….Então, brilharás tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa”(Is 58,1-9).
.........A Palavra de Deus, nos alerta para um novo estilo de vida que vai além de práticas esporádicas, que de forma externa as praticamos, mas que o coração continua sempre o mesmo. Pode comer o que você quiser a hora que quiser, porque o que vai te salvar no fim da vida, será o amor concreto aos mais necessitados.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Dia Mundial do Doente
Por: Dom Anuar Battisti, Arcebispo de Maringá
..........Neste dia 11 de fevereiro, a memória litúrgica da Bem-Aventurada Virgem Maria de Lourdes, celebrar-se-á na Basílica Vaticana o XVIII Dia Mundial do Doente. A feliz coincidência com o 25º aniversário da instituição do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde constitui mais um motivo para dar graças a Deus do caminho até agora percorrido pela Pastoral da Saúde.
..........Efetivamente, com o anual Dia Mundial do Doente, a Igreja tenciona sensibilizar profundamente a comunidade eclesial a respeito da importância do serviço pastoral no vasto mundo da saúde, serviço que faz parte integrante da sua missão, uma vez que se inscreve no sulco da mesma missão salvífica de Cristo. Ele, Médico divino, “passou de lugar em lugar, fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo Diabo” (Act 10, 38).
..........O sofrimento humano tem sentido e é plenamente esclarecido no mistério da Sua paixão, morte e ressurreição. Na Carta Apostólica Salvifici doloris, o Servo de Deus João Paulo II usa palavras iluminadoras a este propósito.
..........“O sofrimento humano, escreveu ele, atingiu o seu vértice na paixão de Cristo; e, ao mesmo tempo, revestiu-se de uma dimensão completamente nova e entrou numa ordem nova: ele foi associado ao amor… àquele amor que cria o bem, tirando-o mesmo do mal, tirando-o por meio do sofrimento, tal como o bem supremo da Redenção do mundo foi tirado da Cruz de Cristo e nela encontra perenemente o seu princípio. A Cruz de Cristo tornou-se uma fonte, da qual brotam rios de água viva” (n. 18).
..........Já o Concílio Vaticano II evocava a importante tarefa da Igreja de cuidar do sofrimento humano. Na Constituição dogmática Lumen gentium lemos que “tal como Cristo… foi enviado pelo Pai “para anunciar a boa nova aos pobres, para proclamar a libertação aos cativos” (Lc 4, 18), “para procurar e salvar o que estava perdido” (Lc 19, 10), de modo semelhante a Igreja ama todos os angustiados pelo sofrimento humano, reconhece mesmo a imagem do seu Fundador, pobre e sofredor, nos pobres e nos que sofrem, esforça-se por aliviar a sua indigência e neles deseja servir a Cristo” (n. 8).
..........Esta ação humanitária e espiritual da comunidade eclesial para com os doentes e os sofredores, ao longo dos séculos, manifestou-se de múltiplas formas e em numerosas estruturas médicas, também de caridade institucional. Gostaria de evocar aqui aquelas que são geridas diretamente pelas dioceses e as que nasceram da generosidade de vários institutos religiosos.
..........E apraz-me acrescentar que, no atual momento histórico-cultural, sente-se ainda mais a exigência de uma presença eclesial atenta e escrupulosa ao lado dos doentes, como também de uma presença na sociedade capaz de transmitir os valores evangélicos de maneira eficaz, em vista da salvaguarda da vida humana em cada uma das fases, desde a sua concepção até ao seu fim natural.
..........Gostaria de retomar aqui a “Mensagem aos pobres, aos doentes e a todos aqueles que sofrem”, que os padres conciliares dirigiram ao mundo, no encerramento do Concílio Ecumênico Vaticano II: “Ó vós todos, que sentis mais duramente o peso da cruz – disseram eles – …vós que chorais… vós, desconhecidos da dor, tende coragem, vós sois os preferidos do reino de Deus, que é o reino da esperança, da felicidade e da vida; vós sois os irmãos de Cristo sofredor; e com Ele, se quiserdes, salvareis o mundo!” (Ench. Vat., I, n. 523* , pág. 313).
..........Agradeço de coração às pessoas que, todos os dias, “desempenham o serviço em prol dos doentes e dos sofredores”, fazendo com que “o apostolado da misericórdia de Deus, ao qual se dedicam, corresponda cada vez melhor às novas exigências” (João Paulo II, Constituição Apostólica Pastor bonus, art. 152). Com estes sentimentos, imploro sobre os enfermos, assim como sobre aqueles que os assistem, a salvaguarda materna de Maria, Salus Infirmorum, e a todos concedo de coração a Bênção Apostólica.
*Publicado no Jornal O Diário (11/02/10)
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Queres a paz, cuide do ser humano.
..........O analista Riccardo Cascioli, relendo a mensagem do Papa, faz as seguintes considerações: “Uma educação voltada para uma 'ampla e aprofundada responsabilidade ecológica' baseia-se no 'respeito ao homem e a seus direitos e deveres fundamentais'”.
Assim o Papa retomou a questão do respeito à criação, segundo ele, essencial para a paz, em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, em primeiro de janeiro. Trata-se de uma homilia muito importante porque o Papa explicita, de maneira muito clara, as bases que devem fundamentar a ecologia humana. “Não é possível” - diz o Papa - “nutrir um respeito verdadeiro pelo meio ambiente sem que saibamos reconhecer no cosmos os reflexos da face invisível do Criador”.
..........O mistério da face de Deus e do homem é o horizonte no qual o Papa aborda a questão ambiental. “O homem é capaz de respeitar as criaturas, na medida em que carrega em seu próprio espírito um sentimento pleno de vida; caso contrário será levado a desprezar a si mesmo e tudo aquilo que o rodeia, a não ter respeito pelo ambiente em que vive ou pela criação” - afirma Bento XVI.
..........Há, assim, uma relação estreita entre o respeito ao homem e a proteção do meio ambiente: “se o homem se degrada, degrada-se o ambiente em que vive; se a cultura se volta em direção ao niilismo, ainda que não teórico mas prático, a natureza pagará as consequências”.
..........Paradoxalmente, portanto, para atingir o âmago dos problemas ambientais, é preciso ter em mente que sua solução não passa por uma leitura aprofundada destes problemas, mas sim pelo aprofundamento da questão humana, do valor que cada um de nós dá à vida. E mais: pelo reconhecimento que Deus habita nossos corações, para usar uma expressão do Papa. “Quanto mais somos habitados por Deus, e quanto mais formos sensíveis também à Sua presença naquilo que nos rodeia, em todas as criaturas, em especial nos demais homens”. O homem é único, dentre todas as criaturas, por ser capaz de tal perspectiva e de tal reflexão.
..........Por isso, a maneira pela qual a Igreja aborda os problemas ambientais é radicalmente diferente, até mesmo oposta, a dos movimentos ambientalistas: “Se o Magistério da Igreja – escreve o Papa em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz – exprime perplexidade diante de uma concepção de ambiente inspirada pelo ecocentrismo e pelo biocentrismo, é porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os demais seres vivos. Desse modo, elimina-se de fato a identidade e o papel especiais do homem, favorecendo uma visão igualitarista da “dignidade” de todos os seres vivos. Dá-se espaço, assim, a um novo panteísmo, com características neopagãs, que pretende derivar, da natureza por si mesma, entendida no sentido puramente naturalístico, a salvação do homem”. (Fonte ZENT do dia 06 de janeiro 2010)
*Publicado no Jornal O Diário (04/02/10)
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
De repente, um adeus!
.
.........Solicitara-me, insistentemente, recusei-me deste honroso mister do editor e diretor desta Revista Tradição, Jorge Fregadolli, para escrever algo sobre o Padre Francisco Robl, carinhosamente cognominado Padre Chiquinho, que nos deixara para sempre, no dia 04 de novembro deste ano, ao meio dia, quando apontavam para o infinito os ponteiros dos elógios no horário-verão do Brasil. Enfim, aceitei o reiterado convite.
..........Alguns dias hospitalizado, todos que o conheciam e o admiravam pela sua maneira, gentil, cavalheiro, padre educado ao trato com as pessoas, à altura de uma Igreja Mãe e Mestra. Todos estavam em orações suplicantes pelo seu restabelecimento, pois sua falta ser-nos-ia, permanentemente, irreparável. Ele, porém, estava preparado; tinha maturidade espiritual para o seu último chamado para a Mansão dos Justos: Em Tuas mãos, Senhor! Apto para receber a recompensa do servo bom e fiel, de ter-se doado a maior parte da sua vida como Pescador de Homens para o redil de Cristo.
Chiquinho esboça sorriso
ao abraçar sua cruz.
Eia, está no Paraíso,
feliz co'o Mestre Jesus!
..........Ele fora para o mundo eclesiástico da arquidiocese de Maringá aquilo que representou o apóstolo de Ars, São João Maria Batista Vianney, Cura d'Ars, para a igreja da França e de outros países, o Papa João Paulo II para toda a Igreja católica, cujos ensinamentos seus vigem indeléveis nesta Igreja peregrina, frutificam à catolicidade da Igreja fundada em Pedro, continuada nos Apóstolos e seus sucessores.
..........Padre Chiquinho estava à disposição da igreja que está em Maringá com o seu sorriso eloquente de felicidade, ao preparar-se dia a dia para ser o Bom Pastor na Vinha do Senhor.
..........Ele, grande na espiritualidade, contribuíra por muitos anos
..........Conheci-o, pessoalmente, desde os idos de 1961, quando ele, pároco em Jussara, e eu Cura da Catedral de Maringá. Quando vinha a Maringá visitar seus parentes pioneiros que trabalhavam no Posto Maluf, às vezes, era-me hóspede simpático que me edificava tanto com seu ardor de pastor e sacerdote modelar.
..........Eu com ele estabelecemos uma relação de devoto e admiração. Afirmo que tivemos uma relação de amizade fraterna, e também as visitas que lhe fazia todas as vezes que ia rever meu irmão e parentes em Cianorte, perto de Jussara. Sua casa paroquial modesta e com boa biblioteca. Sua permanente curiosidade em conhecer a diocese de Maringá, seu desejo contumaz de poder um dia trabalhar na diocese de Maringá tão carente de padres. Dia a dia passara. Dom Jaime Luiz Coelho, em insistentes convites ao padre Chiquinho para vir trabalhar na diocese de Maringá. Chegou a vez de a Providência Divina trazê-lo para dar os seus melhores anos de sacerdócio à Igreja Particular de Maringá.
..........No dia 04 de novembro, meu aniversário natalício, o grande amigo sacerdote nos deixara ao meio dia. Mas a sua figura simpática selou com o perfume de uma vida sacerdotal ilibada e com seu último sorriso deixa-nos enlutados.
..........Almoçava quando chegara a notícia de seu falecimento na Santa Casa de Maringá. Entristeci-me ao perder um amigo de muitos anos. Fiz-lhe preces ao céu pelo seu descanso eterno, pela sua feliz morada junto à presença de Deus.
..........Nosso mundo fica menor sem a sua presença sorridente, mas a aliança da arquidiocese de Maringá para com sua obra ficará eterna nas páginas clássica da História da Arquidiocese de Maringá.
..........Rilke disse quando da morte de Rodin: “Todos os grandes homens já morreram”. Padre Francisco Robl permanece vivo entre nós pelas sementes lançadas às mãos-cheias na seara de Deus.
*Publicado na Revista Tradição (Dezembro/2009)
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
A palavra importante na sua vida
..........Estamos concluindo o primeiro mês do novo ano, iniciando o segundo em clima de quem curtiu férias, de quem viajou, passeou, e até de quem precisou continuar a lida diária sem muita folga. Tudo e sempre com o olhar no futuro, sem esquecer que temos os pés no momento presente. Assim, a palavra que não pode faltar em qualquer situação é o verbo “recomeçar”. ..........Recomeçar sem esquecer a história, uma vida vivida do jeito de cada um, com as pessoas que partilham conosco o mesmo caminho. Por isso, o caminho é marcado por momentos que fazem crescer, como também por percalços impensáveis, porém, reais. ..........Agora, sem querer consertar o passado, devemos estar dispostos a assumir o presente como ele é, com todas as suas exigências, partir para a novidade de cada dia como se fosse o primeiro dia da vida. Lá para trás ficaram as férias, os parentes, as coisas bonitas e agradáveis, também os desencontros e desajustes da convivência. Lá atrás ficou o que fizemos, como fizemos. Enfim, foi o que foi, agora se trata de recomeçar. ..........Assim tudo toma um ar diferente, um gosto diferente, um sabor “de quero mais”. Quando o desapego do passado é uma realidade, respiramos com dois pulmões e oxigenamos o cérebro e o coração não acelera. Por isso, que o nosso Mestre recomenda: “Quem quiser ser meu seguidor, toma a sua cruz cada dia, e siga-me”. A cruz é sempre nova porque novo é cada dia. Pode ser a mesma de ontem, porém revestida da novidade de quem sabe recomeçar sem olhar para trás. Como cada momento é novo, a cruz é nova, o amor de Deus por nós é novo. O Pai Deus nunca se repete no amor. ..........Tudo se transforma quando a cruz de cada um, seja ela qual for, é carregada não como peso, mas como oportunidade de crescer e ser melhores. Ela não é tropeço, é sim trampolim. O segredo está em saber recomeçar sempre, como quem quebrou a melhor taça de cristal, herança do tataravô, e constata que chorar é perder tempo, e só faz aumentar o estresse. ..........Acredito que este é o segredo, a palavra não pode faltar neste recomeço de atividades, de volta às aulas, de rotina diária em meio à agenda repleta e quase sufocante dos compromissos: “recomeçar”. Vale sim e sempre valerá, manter o equilíbrio e lembrar que o único absoluto é Deus. Então, ao lado da sua capacidade pessoal de recomeçar sempre, não se esqueça da força indispensável que é a humildade de filhos em dobrar os joelhos diante do Pai Deus e ali colocar tudo em suas mãos. ..........Orar e orar, sem se cansar, é a fonte inesgotável de bençãos de quem nos ama incondicionalmente. Faça isso e viverá, você e sua família. Diante de tantos momentos difíceis em nós e no mundo, não temos outra saída a não ser orar recomeçando e recomeçar orando. ..........Nunca se desespere, não vá pelo caminho do “tudo está perdido”, deixe-se invadir pela graça de ser filho amado de um Pai Deus que é amor e que nunca deixa faltar nada, mesmo na hora do sofrimento e da dor. Nosso Deus é um Deus que participa em tudo e em todos, não fica alheio a nada, por isso nos ama com um amor misericordioso, infinito. ..........Ai daquele que não leva em seu coração um Pai Deus, que acolhe sempre sem olhar o ontem, dando a cada momento a graça de recomeçar. Assim, o caminho será sempre novo, porque novo é o amor do Pai Deus por você. *Publicado no Jornal O Diário (28/01/10) |
